quinta-feira, 7 de julho de 2011

A gesta africana


Patrice Lumumba lutou pela África contra as colônias européias

Enquanto Cuba encerrava a luta heróica contra a ditadura de Batista, lá do outro lado do mundo outro povo vivia a tarefa de se libertar das colônias européias. Em 1960, o Congo belga logrou sua independência sob o comando de um jovem negro, Patrice Lumumba. Mas, pouco depois de ser eleito primeiro-ministro e iniciar uma mudança radical no país em busca de melhorias para o povo, Lumumba foi preso, torturado e assassinado depois de um golpe de estado promovido com a ajuda da CIA, dos Estados Unidos. Também em 60 a França concede a independência ao outro lado do Congo, chamado de Congo francês. Mas quem fica na presidência é um vassalo, Folbert Youlou, que governa com mão de ferro até 1963, quando com revolta popular, o governo cai e acontecem eleições. Massemba Debat é eleito presidente. No lado belga, os partidários de Lumumba seguiam lutando contra a ditadura e os acontecimentos na parte francesa acendem esperanças de verdadeira libertação, até então não acontecida.
Em 1964, a região era um caldeirão explosivo. Mercenários brancos chegavam ao Congo belga com o apoio dos Estados Unidos e regressa ao poder Moises Tshombe, um conhecido anticomunista que ajudara na captura e no assassinato de Patrice Lumumba. É quando o governo do Congo francês pede ajuda a Cuba para que mande alguém capaz de treinar o exército local, uma vez que se aproximava a possibilidade de uma guerra entre os dois Congos.
Quem vai à África, em janeiro de 1965 é o próprio Che Guevara, que se encontra com Debat e com o então presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, Agostinho Neto, para ouvir dos dois comandantes como estava a situação. Assim, em abril do mesmo ano, Che retorna com um pelotão de 14 soldados cubanos – que semanas depois seriam 120 - chamado de Coluna Um, e entra na África pela Tanzânia. A proposta é treinar os lumumbistas e também os combatentes da Frente de Libertação de Moçambique. Meses depois, era a vez de embarcar para África a Coluna Dois, esta dirigida por Jorge Risquet, com mais 250 homens. “Nós fomos ajudar militarmente na integridade territorial, na luta contra o colonialismo, contra o racismo, contra o apartheid. Era uma obrigação histórica visto que daquele continente saíram mais de um milhão e 300 mil homens e mulheres, levados para Cuba como escravos. Em Cuba, estávamos começando a organizar nossa própria casa, mas não podíamos deixar de ajudar”.
Poucos anos depois da vitória cubana, o internacionalismo já aparecia como uma marca do novo governo. E foi muito em função desta participação de Cuba nas lutas de libertação africana que o processo revolucionário naquele continente cresceu. Desde aqueles dias dos anos 60, 380 mil soldados cubanos passaram pela África, além de 100 mil outros colaboradores nas áreas da saúde e educação e outras. Dois mil e setenta e sete cubanos caíram em combate no solo africano e são considerados heróis nacionais. “Nós, em Cuba, não damos o que nos sobra. Compartilhamos o que temos, e assim foi com a África.” Também neste período, mais de 35 mil jovens africanos foram a Cuba estudar, sem qualquer custo. “Nossa contribuição também se dá na formação e assim vamos caminhando junto com a África que está a 10 mil quilômetros de Cuba, mas também está no nosso sangue”.
Jorge Risquet lembra que o internacionalismo é algo que faz parte da consciência do cubano, e não é coisa que ocorre só depois da revolução dos anos 50. Martí já ensinara que “pátria es humanidad”. Por conta disso vão-se encontrar cubanos lutando com Lincoln, pela libertação dos Estados Unidos, com Benito Juarez, pela libertação do México, com Simón Bolívar. “Na guerra do Vietnã mais de 400 mil cubanos se inscreveram, por livre vontade, para lutar junto ao povo daquele país. Só não foram porque os vietnamitas não quiseram. O internacionalismo é uma razão ética e política. Se nós em Cuba logramos ter assistência médica perfeita e educação de altíssima qualidade, por exemplo,  é nosso dever levar isso aos irmãos que ainda não têm”.
A participação cubana na África se estendeu do Congo para Angola, onde também foram treinar jovens soldados e ajudar Agostinho Neto na luta contra o domínio português e os mercenários. Depois, nos anos 70, lá estavam outra vez os cubanos, sob o comando de Risquet, com instrutores militares, médicos e professores. “Passado meio século, a gente vê que Cuba esteve esse tempo todo na solidariedade com a África, desde o golpe contra Argélia em 1963, quando mandamos para lá todas as armas apreendida dos estadunidenses durante a fracassada invasão de Playa Girón, e retornamos com 100 crianças órfãs de guerra. Estivemos peleando com o fuzil na mão, mas também com a presença civil de médicos, professores e engenheiros”.

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Este espaço busca ser um lugar de interação com contribuições em temas relacionados às Culturas Afroameríndias, suas diversas manifestações e contextos. Nos campos de exposição, apresento em forma de reflexões alguns textos sociais, históricos, políticos, teológico-religiosos e educativos. Também o universo das artes e literaturas são outras referências, leituras e aprofundamentos, conforme este processo de interlocução dialógica em construção.
Agradeço-lhe pelo interesse em reconhecimento e atenção ao nosso trabalho!

Atenciosamente,
Reinaldo.

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